NARRATIVAS SOBRE POVOS INDÍGENAS DO BRASIL COLONIAL 

           

Fontes históricas e roteiros pedagógicos para o ensino de história 

Profa. Dra. Susane Rodrigues de Oliveira

NARRATIVAS SOBRE POVOS INDÍGENAS NO BRASIL COLONIAL

Nossa proposta de abordagem das narrativas coloniais como recursos didáticos nas aulas de história tem como objetivo problematizar e discutir as condições de produção das representações/imagens dos povos indígenas no período colonial. Trata-se de um estudo da historicidade de suas elaborações, buscando romper com a universalização e naturalização de imagens eurocêntricas e racistas sobre os indígenas na história.

O trabalho pedagógico com as narrativas coloniais possibilita a percepção de diferentes “modos de ver” e significar o passado indígena, além da compreensão da historicidade das interpretações e das relações da linguagem com a cultura e o poder. Neste caminho abre-se possibilidade para que os estudantes também possam interpretar o passado e reconhecer a historicidade de suas próprias representações acerca dos indígenas. A intensa difusão de imagens/representações históricas na mídia brasileira impõe à escola o desafio de estimular os estudantes na interpretação crítica destas representações, para o estabelecimento de uma atitude ativa e dialógica diante da televisão e do conhecimento histórico (ZAMBONI, 1998). As representações históricas das sociedades indígenas que circulam nas narrativas coloniais, assim como na mídia e no discurso dos estudantes, não devem ser tomadas como verdadeiras ou erradas, mas como objetos de estudo e de problematização nas aulas de história.           

 

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O USO DAS FICHAS TEMÁTICAS

 

As propostas pedagógicas delineadas nas Fichas Temáticas podem ser aplicadas nas aulas de História do Ensino Fundamental (Anos finais). Tratam-se de propostas de abordagem de fragmentos de fontes históricas coloniais em sala de aula, com o objetivo de estudar a produção de sentidos, especialmente, as condições de produção de narrativas que descreviam as sociedades indígenas brasileiras do século XVI. Este tipo de estudo busca situar as imagens/representações dos indígenas, veiculadas nas narrativas coloniais, como construções baseadas em valores e conceitos que eram externos e estranhos aos próprios indígenas. O trabalho pedagógico com as narrativas coloniais possibilita ainda a percepção de diferentes modos de ver e significar o passado indígena, além da compreensão da historicidade das interpretações e das relações da linguagem com a cultura e o poder. Neste caminho abre-se possibilidade para que os estudantes também possam interpretar o passado e reconhecer a historicidade de suas próprias representações acerca dos indígenas. Os referenciais teóricos e metodológicos que orientaram a elaboração das atividades pedagógicas inscritas nas Fichas Temáticas foram construídos em sintonia com tendências pedagógicas construtivistas. Nessa perspectiva, entendemos o processo de ensino-aprendizagem como momento de reconstrução do conhecimento, cujo objetivo central é a formação do estudante como cidadão crítico, sujeito histórico e também produtor de conhecimentos. As discussões interdisciplinares sobre os conceitos, status e abordagem metodológica das fontes tiveram como referência alguns princípios da Análise do Discurso francesa e os conceitos de Representações Sociais e Imaginário Social.    

 

 

ESTRUTURA DAS FICHAS TEMÁTICAS

 

A Ficha Temática é um recurso didático que apresenta trechos de fontes históricas coloniais referentes às sociedades indígenas do Brasil Colônia, bem como propostas pedagógicas para o trabalho de leitura, análise e discussão destas fontes em sala de aula. Elas apresentam a seguinte estrutura e conteúdos:

FONTE: referência bibliográfica do trecho do documento que se apresenta no Extrato.

 

TIPO DE FONTE: identificação do tipo de documento histórico apresentado no Extrato: crônica colonial, relato de viagem, tratado, carta, processo, etc.

 

CENÁRIO: apresenta breve descrição do contexto em que o documento foi produzido e da localização no tempo e no espaço do tema tratado no Extrato.

 

TEMA: identifica o assunto central do Extrato.

 

EIXO TEMÁTICO: identifica a Ficha no conjunto de temas de estudo propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de história.

 

EXTRATO: transcrição literal de um trecho do documento.

 

PALAVRAS-CHAVE: termos que identificam as idéias ou temas principais do extrato de documento.

 

PROPOSTAS PEDAGÓGICAS: sugestões metodológicas para que os professores possam utilizar o recurso recomendado em sala de aula. Dividido em duas partes: a primeira apresenta um roteiro de atividades focado na leitura, análise e discussão do Extrato; já a segunda traz indicações de temas para pesquisa (extraclasse) e de questões para debate que favoreçam uma percepção das mudanças e permanências, e das diferenças e semelhanças entre o passado e o presente. RECURSOS

 

DIDÁTICOS AUXILIARES: recursos digitais (apresentações, imagens, vídeos, textos, cronologias, mapas, etc.) que recomendamos para explicitar alguns conteúdos apresentados na Ficha.

 

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS: referências de textos acadêmicos (artigos, livros, resenhas, teses, dissertações, etc.), disponíveis na internet, que podem contribuir no enriquecimento do conhecimento historiográfico dos professores a respeito do tema tratado na Ficha.

 

LOCALIZAÇÃO DIGITAL: endereço do site onde se encontra a obra completa, na língua original, para download.

A construção dessa metodologia é resultado das atividades do Projeto de Extensão “América indígena: oficinas, pesquisas e materiais didáticos para o ensino de história”, – desenvolvido no Laboratório de Ensino de História (LABEH) da Universidade de Brasília (UnB), entre os anos de 2011 e 2015.

BIBLIOGRAFIA

Ensino de História Indígena: Trabalhando com Narrativas Coloniais e Representações Sociais

Capítulo de Susane R. de Oliveira publicado no livro Representações Culturais da América Indígena (2015).

Representações das sociedades indígenas nas fontes históricas coloniais: propostas para o ensino de história

Artigo de Susane R. de Oliveira publicado na Revista Anos 90 (2011).